terça-feira, 20 de agosto de 2013

Charges




(Depois vocês, honroso Adolf)



Postado por: Jardel Olliveira
Fonte: Google Imagens

domingo, 18 de agosto de 2013

Cotidiano do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial
No caminho para a Europa, havia Natal. Nunca antes a cidade tinha recebido tantos turistas. Rapazes brancos que em poucos dias ficavam cor de laranja sob o sol, o que não espantava as moças da cidade. Elas cercavam os GIs para conhecer as novidades, inéditas na história do país. Whisky, Coca-Cola, Lucky Strike, foxtrot e bombardeiros de 16 toneladas.

Cotovelo geográfico

Hoje, quem anda pela orla em Natal chega a Miami. A praia de Miami, assim batizada graças a quem a frequentava 70 anos atrás. No auge da Segunda Guerra, tomar sol em Miami, Rio Grande do Norte, era um dos passatempos dos 10 mil soldados americanos que, entre 1942 e 1945, operavam as bases militares mais importantes dos aliados no Hemisfério Sul - o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões.

Espécie de cotovelo entre a América e a África, o Nordeste brasileiro era considerado pelos americanos um dos pontos mais estratégicos do mundo. Os aviões militares, que partiam da Miami original, nos EUA, faziam escala em Porto Rico, Trinidad e Belém - para depois partirem rumo a Senegal, Togo e Libéria e daí à Europa, levando carga ou os próprios bombardeiros, como as fortalezas voadoras B-17 e B-24. Parnamirim virou o aeroporto mais congestionado do mundo, com até 800 pousos e decolagens por dia. "Antes pacata e tranquila, a vida noturna de Natal alterava-se profundamente: era agora agitada e trepidante; bares e boates surgiam da noite para o dia", escreve o jornalista Murilo Melo Filho em seu livro de memórias, Testemunho Político. A americanização logo chegou aos trajes. Os homens abandonaram os ternos e as calças de risca-de-giz e passaram a vestir roupas cáqui de inspiração militar. As calças de brim azul, usadas nas horas vagas por recrutas americanos, chegaram ao Brasil via Natal - embora só fossem se espalhar pelo país na década de 50. As moças - que antes só passeavam na companhia de pais e irmãos, vestidas com saias rodadas - agora andavam sozinhas, de calças compridas, mascando chicletes, o sinal inconfundível da modernidade.

Além dos soldados, Natal recebeu estrelas do showbiz, enviadas pelo governo dos EUA para levantar o moral das tropas. Humphrey Bogart veio animar a estreia de Casablanca no teatro da base, em 1942. A orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Nos prédios das bases militares, sucediam-se festas onde os combatentes americanos se misturavam aos jovens - e, principalmente, às jovens - natalenses.

Além de cortejar as moças de família, os americanos eram frequentadores de prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão Estela e o Bar Ideal. (Para controlar as doenças venéreas, os médicos do exército passaram a examinar as moças da zona de meretrício e as garotas saudáveis ganharam atestados chamados love cards.) Em Natal, mais do que em qualquer outro lugar das Américas, a política da boa vizinhança era um tremendo sucesso.

A Política de Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Roosevelt era uma doutrina para toda a América Latina, visando combater o antiamericanismo e as simpatias pelo Eixo por meio de trocas culturais patrocinadas pelo Estado. Quando o Brasil entrou na guerra do lado aliado, em 22 de agosto de 1942, assumiu mais que um compromisso militar. Os americanos deixavam de ser figuras de cinema para se tornarem presenças físicas. Os brasileiros, antes só exóticos, viraram exóticas figuras de cinema.

-O que é isso, senhora Miranda?

-Um reco-reco.

-Reco... reco? - a voz poderosa vinha em fortíssimo sotaque americano.

-Sim. E isto é um pandeiro.

-Pandeiro?

-Sim, um pandeiro. Algo errado, mister Welles?

-Nada. É que às vezes fico meio confuso.

Era 15 de novembro de 1942 e o diálogo ocorria em um estúdio no Rio de Janeiro, transmitido diretamente à radio CBS dos EUA. Ao redor do microfone estavam Orson Welles - a voz mais famosa do país, graças à transmissão de A Guerra dos Mundos, em 1938, e que havia acabado de estrear no cinema com Cidadão Kane - e Carmem Miranda, que na época já era uma estrela de Hollywood. Ela tinha migrado aos EUA meses antes da guerra - quando o conflito começou, havia estourado na Broadway com o musical Streets of Paris, cantando Mamãe Eu Quero. Lá, ganhara o apelido de brazilian bombshell. Carmen era a encarnação da política de boa vizinhança: em 1940, se apresentou na Casa Branca e no mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular de Nova York.

Nas dezenas de filmes dos quais participou em Hollywood, Carmem se tornaria um estereótipo não só do Brasil mas também de toda a América Latina. Já Welles havia sido enviado para cá com a incumbência de gravar um documentário sobre o país - encomenda do Office of Interamerican Affairs. Welles virou figura folclórica nas noites cariocas: acompanhado de tipos como Grande Otelo, tomava proverbiais bebedeiras de cachaça, colecionava amantes e discorria sobre as origens comuns do jazz e do samba para extasiados convivas em bares e boates.

O Office havia enviado ao Brasil outro personagem ilustre: Walt Disney. O Rio de Janeiro foi a principal parada em uma viagem pela América Latina, no início de 1941 - uma espécie de pesquisa de campo para um filme de propaganda da amizade continental. Disney instalou seu QG no Copacabana Palace e cercou-se de artistas locais para sentir o clima. Com a ajuda de cartunistas brasileiros como J. Carlos e Luiz Sá, criou o maior sucesso da Disney no Brasil: Zé Carioca. Aliás, não criou: encontrou. Na comitiva brasileira estava o músico José do Patrocínio Oliveira, paulista de Jundiaí. Como membro do Bando da Lua, a banda de Carmem Miranda, viveu nos EUA, onde aprendeu inglês. Foi assim, sendo ele mesmo, que interpretou o papagaio Zé Carioca na animação Alô, Amigos, de 1942. Pois é, Zé Carioca era paulista. O personagem ainda é publicado no Brasil, enquanto ninguém se lembra mais dele no exterior.

A missão de Welles não foi tão bem-sucedida: em vez de gravar loas ao governo Vargas - conforme a encomenda -, ele registrou a vida nos cortiços cariocas e de tecelões e pescadores pobres no Nordeste. Os rolos acabaram confiscados. As imagens do documentário ainda existem, mas nunca foram montadas.O filme se chamaria: It's All True (É tudo verdade).

Matérias-primas

Os EUA não queriam a amizade do Brasil apenas por bases e danças exóticas nem pagaram com papagaios: como parte dos acordos com o governo Vargas, os EUA financiaram a construção da Usina Siderúrgica Nacional de Volta Redonda - que custou 200 milhões de dólares da época (hoje cerca de 2,6 bilhões de dólares). Do Brasil, os EUA queriam matérias-primas importantes ao esforço de guerra. A principal era a borracha, usada em tanques, jipes, aviões, uniformes e armamentos.

A indústria da borracha estava praticamente morta no Brasil desde o início do século 20. Nativa da Amazônia, a seringueira foi plantada pelos ingleses em suas colônias do Sudeste Asiático e essas plantações tinham uma produção muito maior que as brasileiras, pois estavam livres de pragas nativas. Mas os japoneses ocuparam a região e bloquearam o acesso às plantações. Além disso, o Brasil era fonte de materiais que iam desde minérios simples, como ferro e manganês, até diamantes industriais, óleos vegetais e carne em conserva. E era o único produtor disponível de cristais incolores de alta qualidade, o quartzo, utilizados em aparelhos de comunicação, detectores de som e de localização usados contra submarinos e aviões. A cera de carnaúba, palmeira nativa do Brasil, tem várias aplicações industriais: era usada na produção de vernizes à prova d¿água pela indústria bélica. Os bichos da seda, cultivados por pequenos produtores japoneses em São Paulo, eram essenciais na fabricação de paraquedas. E a hortelã-pimenta dava origem ao mentol, que aumentava a potência da nitroglicerina.

Ao decretar guerra aos países do Eixo, Vargas tinha uma dura tarefa de convencimento. Muitos brasileiros admiravam a Alemanha. Havia mais de 200 mil descendentes de alemães no Brasil. "Cresci ouvindo dizer que os alemães eram o povo mais inteligente e avançado da Terra. Já os EUA não tinham grande expressão antes de 1939. Essa admiração pelos americanos só veio depois dos afundamentos dos nossos navios", lembra o veterano da Aeronáutica Osias Machado.

Vida de imigrante

Para a sorte de Vargas, os nazistas fizeram sua parte em cultivar o ódio dos brasileiros. Em agosto de 1942, o irmão mais velho de Osias, Messias, vivendo no Rio de Janeiro, mandou um telegrama avisando que iria ao Nordeste no navio Itagiba. Em 17 de agosto, correu a notícia de que o barco fora afundado no litoral de Sergipe. Era a quarta vítima de torpedos alemães no mês - represália ao alinhamento do Brasil com os EUA, no início do ano. Até o fim de agosto, mais de 600 brasileiros morreriam. "Achei que meu irmão estivesse no fundo do mar. Aí, pensei: agora é guerra. Quero vingança." Dias depois, veio o alívio: Messias não havia embarcado no Itagiba. Mas a semente estava plantada. "Passei da admiração ao ódio em questão de dias. Juntei um grupo de amigos e saímos quebrando o que fosse de gente do Eixo. Não me arrependo."

A raiva de Osias não era incomum. Em 19 de agosto de 1942, uma multidão saiu às ruas de Porto Alegre. "Formou-se uma grande concentração popular em frente ao Cinema Central, daí irradiando-se por toda a cidade. Os manifestantes saíram correndo pelas ruas, iniciando as depredações que se estenderam até altas horas. Na Sociedade Germania, os manifestantes penetraram no edifício, retiraram os móveis e utensílios para o meio da rua e os incendiaram", noticiou o jornal Correio do Povo.

Até os comunistas aderiram à mobilização de Vargas. Na época, muitos líderes estavam presos. Ainda assim, os esquerdistas em liberdade se uniram ao regime contra o inimigo comum. "Os membros do PCB que não estavam em cana chegaram a criar um slogan na época: `Quem é jovem vai pra guerra¿. E a palavra de ordem foi levada a sério", diz o historiador René Gertz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O Estado Novo foi um regime autoritário nacionalista - pelo decreto-lei 406, de 4 de maio de 1938, as escolas em língua estrangeira foram proibidas. No ano seguinte, foi a vez das igrejas - só o latim sobreviveu nos rituais católicos. Quando o Brasil entrou na guerra, também foram proibidas publicações em qualquer língua que não o português. Para viajar de um estado a outro, descendentes de alemães, italianos e japoneses precisavam de salvo-conduto emitido pela polícia. Não podiam se reunir, nem mesmo em casa. De 1942 a 1945, cerca de 3 mil pessoas foram presas sob acusações de serem "súditos do Eixo" e enviados para 12 campos de prisioneiros, os maiores nas cidades paulistas de Pindamonhangaba e Guaratinguetá.

O preço do azeite

Em janeiro de 1944, na véspera de embarcar para um treinamento nos EUA, Osias, voluntário do 1º Grupo de Caça da Força Aérea Brasileira, resolveu se despedir almoçando à beira da baía de Guanabara. Com o uniforme da FAB, entrou no restaurante Albamar - que existe até hoje - e pediu peixe. De garfo à mão, deu uma espiadela no vidro de azeite. "O azeite custava 20 cruzeiros. O peixe, uns 5", lembra. O azeite era e ainda é importado. Com o comércio internacional bloqueado pelos submarinos alemães, o preço se tornou impraticável. Osias ponderou e deu de ombros, pedindo o peixe sem azeite mesmo. Foi interrompido por uma voz com sotaque português na mesa ao lado, entre indignada e gentil. "Na minha terra, quem vai guerrear almoça de graça. E peixe só se come com azeite. Eu pago tudo." Pela gentileza do lusitano filantropo, Osias pôde enfrentar os nazistas com a força adicional do azeite de oliva.

Racionamento

A falta de itens elementares, como pão branco, gasolina e diesel, tornou-se parte do dia a dia bem antes do rompimento das relações diplomáticas com o Eixo. Em 1939, a escassez de trigo esvaziava os fornos das padarias - o Brasil sempre importou trigo. Em 1942, o governo tentou resolver o problema criando o "pão de guerra", feito com farinha de milho. Os preços eram tabelados. Em São Paulo, o pão branco custava 2,50 cruzeiros. O pão de guerra, 1,60. "Foi um dos momentos em que a mobilização da guerra chegou fundo no cotidiano das pessoas. O pãozinho branco já estava muito instituído entre nós", diz Roney Cytrynowicz, autor da obra Guerra Sem Guerra: a Mobilização e o Cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial.

Nos bares e restaurantes, reclamava-se que o pão de guerra tinha gosto de areia. Mas, se faltava pão, havia macarrão - importado da Argentina. Nascia o "pão de macarrão", tão popular que sua receita ainda pode ser encontrada no livro Não É Sopa, de Nina Horta, de 1995. Petróleo e carros eram outra parte importante do cotidiano. Para contornar a escassez (o país importava cada gota de óleo), em 1940 o governo decretou que todo proprietário de dez automóveis deveria ter, pelo menos, um movido a gasogênio. Em 7 de maio de 1942, começaram os racionamentos. Em julho, carros particulares foram proibidos no Rio. Logo, a maioria dos donos de carro teve de trocar os motores.

O colapso nos transportes levou à falta de outros itens - os ovos, o açúcar e o sal demoravam para chegar às grandes cidades. Em 1944, começou a faltar até lenha. Não havia peças automotivas, na maioria importadas. Em outubro, em São Paulo, havia mais de 300 ônibus parados por falta de chassis. No auge da escassez, o Correio Paulistano descrevia uma cidade vazia: "Nas grandes vias ermas, os distraídos pedestres atravessam as ruas sem olhar para os lados. As ruas ficaram limpas de automóveis".

A escassez levou à inflação: em São Paulo, o preço dos alimentos aumentou 400% durante os anos de guerra. O açúcar passou a ser racionado: em novembro de 1944, a cota por pessoa era de 750 g a cada 15 dias. Para comprar os gêneros que faltavam, eram usados cartões de racionamento - nos quais os donos de lojas e mercados anotavam a quantia de produto vendido. Em alguns bairros, para comprar carne, as filas começavam às 4 da manhã e os açougues só abriam duas vezes por semana. O caos nos transportes multiplicava filas na frente dos teatros, dos cinemas e das paradas de bonde - eles não foram tão afetados porque a matriz energética do Brasil era hidroelétrica.

Quem quisesse fugir dos bondes entupidos e com gente pendurada nos balaústres tinha de dividir um táxi com desconhecidos. "Ao fim do dia, os taxistas escreviam com giz o nome dos bairros residenciais no para-brisas e se enfileiravam, enquanto aguardavam os passageiros com destino comum", escreveu o jornalista americano Robert Moore, que visitou o Rio em 1944. "Quem deseja um táxi só para si é obrigado a pagar uma fortuna pela corrida."

Além dos americanos, de racionamentos e da perseguição a estrangeiros, o governo fez mais para trazer a guerra para perto. Em 1942, passaram a ocorrer blecautes nas maiores cidades brasileiras, um exercício de guerra para o caso de ataque aéreo ou naval. Cartilhas foram distribuídas para explicar o procedimento. Às 21 horas, tocavam as sirenes, escureciam os cinemas, apagavam-se a iluminação pública e até os faróis de carros. No Rio, os holofotes do Corcovado ficavam desligados. Em Salvador, até os tambores dos candomblés cessavam. "Pelas esquinas, rondavam os vigias, atirando pedrinhas nos telhados de casas onde houvesse luzes acessas. Portas e janelas eram acortinadas com pano preto, as frestas tapadas com jornal. Todos esperando o bombardeio", conta o escritor Paulo Carvalho-Neto em Morrer pelo Brasil.

Em Natal, o Dia da Vitória, 8 de maio de 1945, foi um fiasco. Multidões comemoravam na Times Square de Nova York, na praça Vermelha de Moscou e na avenida Rio Branco, no Rio. Ali ninguém saiu às ruas. O Teatro Carlos Gomes, onde seria celebrado o evento, estava deserto. Os organizadores foram às ruas para catar mendigos e prostitutas para ocupar os 600 lugares vazios. O discurso da vitória foi feito para uma plateia sonolenta, totalmente desinteressada. O for all, ou forrobodó, havia acabado.

Espiões nazistas no Rio

Fundado em 1928, o braço brasileiro do Partido Nazista era o maior fora da Alemanha - chegou a contar com mais de 2 mil membros, quase todos saídos dos 200 mil descendentes de alemães que viviam no Brasil na época. A seção brasileira do Partido Nazista foi desbaratada em 1938, quando Getúlio Vargas proibiu todos os partidos políticos, inclusive os estrangeiros. Mas isso não impediu que a Abwehr, o serviço de informações de Hitler, armasse uma rede de espionagem em solo brasileiro. Os espiões do Reich (na maioria amadores) passavam informações sobre política interna, geografia e movimento nos aeroportos por meio de rádios piratas, cartas com tinta invisível e microfotografias. Após a entrada do Brasil na guerra, todos os descendentes germânicos viraram suspeitos e muita gente inocente foi presa só por dizer guten tag (bom dia) na rua. Espiões de verdade foram também pegos: um dos líderes do esquema, o empresário Albrecht Gustav Engels, foi preso no Rio de Janeiro em 1943.

Fogueira no porta-malas

Para suprir a falta de gasolina e diesel, o governo brasileiro passou a produzir em 1941 carros e ônibus movidos a gasogênio - um aparelho instalado na parte de trás do veículo que transformava carvão vegetal em combustível. Pouco a pouco, os carros a gasogênio se multiplicaram pelas ruas de cidades grandes, como São Paulo - mas mesmo eles eram proibidos de trafegar entre 9 da noite e 5 horas da manhã. Como o pão de guerra, o gasogênio não caiu no gosto de ninguém. Além de demorar para funcionar, o carro tinha metade da potência de um motor à gasolina. "Fazia uma bagunça danada. Imaginem: era como ter de acender todos os dias uma fogueira no porta-malas do carro", lembra o veterano de guerra Osias Machado. Assim mesmo, São Paulo conseguiu organizar em 1944 seu primeiro Grande Prêmio de Automobilismo em Interlagos - só com carros à base de gasogênio. O motorista vitorioso, Chico Landi, futuro piloto de Fórmula 1, foi celebrado como um herói do esforço de guerra.

A batalha da borracha

Enquanto a festa acontecia em Natal, um aspecto mais sombrio dos acordos entre Brasil e EUA se desenrolava na Amazônia. Para suprir a necessidade dos aliados por borracha, Vargas organizou um verdadeiro exército de 50 mil pessoas para sangrar as seringueiras da floresta. A maioria desses "soldados da borracha", como ficaram conhecidos, veio do Nordeste, que em 1942 passava por uma seca gigantesca. Caminhões entupidos de nordestinos embrenharam-se por estradas tortuosas e esburacadas, desde o sertão até o coração da selva. "Mas aquela gente estava acostumada à caatinga seca, e não à floresta úmida. Milhares morreram tentando colher látex, de doenças pulmonares, por picadas de aranhas e cobras etc.", diz René Gertz, da UFRGS. Estima-se que entre 15 mil e 20 mil soldados da borracha tenham morrido nas profundezas da Amazônia. Para comparação, o número de soldados brasileiros mortos em batalha na Europa ficou em 465.

Os "corações sujos"

Os imigrantes japoneses foram o grupo mais afetado pelas perseguições aos "súditos do Eixo". Em 1943, 305 famílias de moradores das ruas Conde de Sarzedas e Estudantes, no bairro da Liberdade, em São Paulo, foram despejadas à força. Pouco depois, mais de 7 mil japoneses ou descendentes acabaram expulsos de Santos e enviados para a zona rural. A triste ironia é que a mais ativa organização nipônica não agia contra brasileiros - mas contra os próprios imigrantes. Após a rendição japonesa, em 1945, nasceu em São Paulo a organização Shindo Renmei. Militarista e ultranacionalista, afirmava que as notícias da derrota eram parte de um complô - e os imigrantes ou descendentes que acreditassem nelas eram chamados de "corações sujos". Apoiada por 80% da comunidade japonesa, a seita começou uma campanha de terror contra os "derrotistas": de janeiro de 1946 a fevereiro de 1947, assassinos da Shino Renmei mataram 23 imigrantes.

Postado por: Jardel Oliveira
5 atentados frustrados contra Hitler


Desde sua ascensão ao poder, Adolf Hitler enfrentou constantes ameaças à sua vida. Historiadores identificam mais de quarenta atentados, desde 1939 a 1944, que só cessariam com o suicídio de Hitler em um bunker abaixo de Berlim, em 30 de abril de 1945.

Confira, nesta lista, os cinco principais e mais bem planejados atentados que quase puseram fim ao terror e a destruição, causados pelo ditador alemão. Em comum, eles têm o fato de terem fracassado, por melhor que tenha sido o plano.


1. O atentado da cervejaria

Cervejaria Burgerbrau após atentado
Cervejaria Burgerbrau após atentado
Em 1939, exatamente em oito de novembro, um pouco mais de dois meses após a invasão da Polônia, da qual eclodiu a Segunda Guerra Mundial, um carpinteiro alemão, Georg Elser, de 36 anos, arquitetou todo um aparato, para um atentado, na Cervejaria Bürgerbräu, em Munique. Adolf Hitler realizaria um discurso, em aniversário de comemoração ao fracassado Putsch de Munique. Georg trabalhou noites às escondidas, para que tal artefato explodisse no meio do discurso. A bomba estava programada para ser ativada às 21h20min, mas Hitler terminou seu pronunciamento antes do esperado (coincidência ou premonição?), saindo da cervejaria às 21h07min. A bomba detonou, matando 08 pessoas e feriu 60. Hitler saiu ileso, como em todos outros atentados.
2. Atentado na terra do rei-sol

Militares nazistas marchando embaixo do Arco do Triunfo, em Paris, França
Paris, 14 de junho de 1940, as forças do Terceiro Reich passam pelo Arco do Triunfo e desfilam pela Avenida Champs-Elysées. Após quase um mês de resistência, a França é capitulada pelas forças de Adolf Hitler. Hitler visitaria o território conquistado, e um desfile estava programado para o dia 27 de junho de 1940, contando com sua presença. Nesse período, a insatisfação de alguns militares já se encontrava em pleno vapor. Com isso, Fritz-Dietlof von der Schulenburg, membro do partido Nazista desde 1932, junto com outros militares, arquitetavam assassinar Hitler a tiros, enquanto passaria em seu carro na parada militar. Porém, tal desfile teve sua data alterada, pois Hitler adiantaria sua viagem para o dia 23 de junho. Schulenburg seguiu com o plano, e em 1941, um novo desfile é marcado, mas, como força do destino ou alguma “proteção”, Hitler cancela novamente tal desfile.
3. Atentado da bomba aérea

Foto de Henning von Tresckow
Henning von Tresckow
Em 1943, em uma visita ao front oriental, oficiais da resistência alemã preparavam um explosivo para ser levado ao avião do qual Adolf Hitler partiria. O general Henning von Tresckow, com a cooperação de mais alguns da resistência, programaram uma bomba, juntamente com um detonador, que estava programado para ser acionando 30 minutos mais tarde. Um fato curioso é que tais artefatos foram introduzidos em uma caixa que, para os olhos dos nazistas, levava conhaques, que seria um presente para um oficial em Berlim. O plano teria tudo para dar certo, e encerrar a guerra antes do esperado, se não fosse por um equívoco da química e da física. O detonador foi acionado, mas a bomba não explodiu, a aeronave estava em uma altitude tão elevada, que acabou congelando as espoletas, ocasionando o fracasso da operação.
4. Operação Valquíria

Toca do Lobo após atentado
Toca do Lobo após atentado
Uma operação que deveria proteger o Terceiro Reich contra golpes de Estado acabou sento arquitetada contra Hitler. Com o objetivo de tomar o controle da Alemanha, oficiais da resistência do alto escalão nazista protagonizaram o maior atentado contra Hitler. O coronel Claus von Stauffenberg se dirige a Toca do Lobo, Prússia Oriental, quartel-general da qual Hitler realizaria uma reunião que contava com oficiais nazistas, e também com o líder italiano, Benito Mussolini. Com duas bombas em sua pasta, Stauffenberg monta todo o aparato em um banheiro, e se dirige a reunião, colocando a pasta em baixo da mesa principal, ao lado onde Hitler se acomodaria. Longe da Toca do Lobo, os oficiais da resistência já preparavam todo o golpe, assim que fosse confirmada a morte do líder alemão. Mas nem tudo saiu como planejado, a bomba foi acionada, mas, mais uma vez, Hitler sairia ileso, contando apenas com alguns ferimentos.
5. Estratégia dos Aliados

Propaganda de guerra anti-nazista
“Não deixe esta sombra tocá-los. Compre bônus de guerra”
A maioria dos atentados contra Adolf Hitler foram planejados pelos próprios membros do partido nazista e militares. No entanto, o que não sabemos é que os Aliados (EUA, Reino Unido, URSS) tinham planos dos mais mirabolantes possíveis para um assassinato do líder Alemão. A Grã-Bretanha liberou arquivos secretos da Segunda Guerra Mundial ao público, dentre eles há um que continha a intenção de matar Hitler já no final do conflito. Com o consentimento de Winston Churchill, primeiro-ministro britânico na época, foram montadas operações complexas, que nunca foram postas em ação. Dentre eles: envenenamento, ataques com armas de fogo, bombardeio a sua residência em Berchtsgaden, descarrilamento de trilhos de trem, dentre vários outros. Por explicações ainda desconhecidas, tais operações jamais foram concretizadas, talvez por questões de segurança, ou até mesmo pelo fato de que, talvez, a morte de Hitler causasse consequências ainda piores do que em vida.
Postado por: Jardel Oliveira
Fonte: http://www.historiadigital.org/curiosidades/5-atentados-frustrados-contra-adolf-hitler/

sábado, 17 de agosto de 2013

Curiosidades da Segunda Guerra Mundial

*Um submarino, U-120 de origem alemã, naufragou por causa de um detalhe, digamos, pífio: Por um problema no banheiro dos tripulantes. Acredite se quiser.

*O Pentágono, centro da inteligência dos Estados Unidos, possui um número de toaletes mais do que necessário para a sua operação. Isso tem uma explicação. Quando a sua construção foi iniciada, isso na década de 40, leis de segregação ainda persistia, o que fez criar banheiros especiais para brancos e outros banheiros de uso exclusivo dos negros.

*Cerca de 80% dos homens que nasceram na URSS (União Soviética) em 1923, não voltaram são e salvos da Segunda Guerra Mundial.

* Entre os anos de 1939 e 1945, que foi o período em que as guerras ocorreram, aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de bombas foram despejadas nos territórios. Isso é revertido em uma média de mais ou menos 27.700 toneladas de bombas mensais.

*A maioria dos componentes da Waffen SS alemã nem eram naturais do país.

*Na Segunda Guerra, 2 entre cada 3 mortos eram pessoas civis.

*Estima-se que mais de 40 mil homens teriam servido em submarinos da Alemanha. Dos que tripulavam unidades do U-Boat, aproximadamente 30 mil desses homens nunca mais foram vistos, e nem relatos sobre os mesmos apareceram.

* Dos generais que a Alemanha mantinha, cerca de 140 foram mortos. Era uma média de um general morto a cada uma semana. Desses, 85 morreu nas mãos do sanguinário ditador Adolf Hitler.

* Em quase um ano, os aliados na Segunda Guerra tinham quase meio milhão de pessoas feridas e cerca de 200 mil baixas.

Postado por: Daniele Sousa
Japão recorda o dia em que saiu derrotado da Segunda Guerra Mundial


O dia 15 de agosto marca a data da rendição nipónica. Este ano, a polémica estalou quando o primeiro-ministro Shinze Abe enviou uma oferenda para um santuário onde são homenageados antigos militares que o Ocidente considera como criminosos de guerra. Dois dos seus ministros visitaram mesmo o referido templo.

Postado por: Jardel Oliveira


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Poema: Segunda Guerra Mundial

Quando Hitler a Polônia invadiu
Um grande conflito surgiu
Eixo contra Aliados
Estariam todos preparados?

Com a Blitzkrieg os alemães começaram
Uma Guerra Relâmpago que a todos assustaram
Com o objetivo de uma rápida vitória
Adotaram uma aviação que ficou na história

Com Pearl Harbor sendo atacada por Japão
A vingança dos EUA foi a intenção
Não reagiram de nenhuma forma até então
Para que no fim conseguisse de Japão a rendição

Em 15 de agosto o Japão se rendeu
Pois com ataques bélicos pro EUA perdeu
O fim de uma guerra teria acontecido
E a Guerra Fria havia se sucedido

Postado por: Jardel Oliveira
Fonte: Autoria própria de JARDEL e ALICE.
O sentido histórico da Segunda Guerra Mundial

O adiamento da revolução socialista mundial — iniciada com a Revolução de Outubro de 1917 — foi pago pela humanidade trabalhadora com um preço inédito em vidas humanas, especialmente forte nos países que estiveram no centro desse adiamento: 20 milhões de mortos na União Soviética, 13 milhões na Alemanha. Isto sem contar a qualidade das mortes, que incluíram cenários de degradação humana como nunca tinham sido vistos na História: campos de concentração nazistas; câmaras de gás; políticas de extermínio total de judeus, ciganos, homossexuais, deficientes mentais e muito mais.

Sessenta milhões de homens em armas, 50 milhões de mortes (a maioria na população civil) como resultado direto dos combates, ou "80 milhões de pessoas, se se contar também as que morreram por fome e doença (...) oito vezes mais do que na Primeira Grande Guerra"1: ao todo, aproximadamente, 4% da população mundial da época, e tudo isso, em escassos cinco anos. Os números da Segunda Guerra Mundial estão aí para demonstrar a validade da alternativa histórica que Rosa Luxemburgo colocara imediatamente após a Primeira Guerra Mundial: "Socialismo ou Barbárie".

Embora os números não expressem a qualidade das mortes, eles refletem a quantidade dos massacres absurdos da população civil, desnecessários do ponto de vista militar, levados adiante por todos os principais protagonistas da guerra, mas especialmente pelos "democratas" Aliados, a exemplo do inútil bombardeio da cidade alemã de Dresden (quando a capitulação da Alemanha já era questão de horas), ou das bombas atômicas lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki, com suas centenas de milhares de mortos civis e seus efeitos ainda sensíveis décadas depois, isto em condições em que, segundo a insuspeita opinião de Winston Churchill,
... seria um erro supor que o destino do Japão foi decidido pela bomba atômica. A derrota do Celeste Império já estava assegurada antes de ser lançada a primeira bomba2.
Ou ainda, a moderada reflexão retrospectiva de Jean Lacouture:
Se a primeira bomba, pelo seu efeito de terror, podia ter o objetivo de desalentar os japoneses e evitar aos Estados Unidos a lenta reconquista e o meio milhão de homens que talvez teria custado, a segunda teve um caráter de experimento científico às custas de cem mil vidas. Não acredito que a bomba atômica tenha justificativas (...) a eleição do Japão para o lançamento da bomba me parece racista: em circunstâncias semelhantes às existentes no Japão, os norte-americanos não teriam ousado lançá-la sobre uma cidade alemã3.
De fato, o racismo não foi patrimônio exclusivo dos nazistas, assim como as experiências científicas do Dr. Mengele em Auschwitz (ou de seu equivalente japonês, a Unidade 731 do norte da China). Os Estados Unidos acabam de reconhecer oficialmente ter submetido a provas nucleares mais de 600 pessoas no seu próprio território durante a Segunda Guerra, incluindo dezoito norte-americanos que morreram depois de ter recebido injeções de plutônio4. O racismo e a barbárie foram multidirecionais.

Racismo, barbárie, o assassinato em massa de civis como política sistemática, e isto da parte de todas as potências envolvidas; é evidente que uma guerra com estas características é qualitativamente diferente das anteriores. Para explicar as suas causas (e o seu desfecho), não basta referir-se aos objetivos estratégicos nacionais dos países ou blocos envolvidos. Se "a guerra é a continuação da política por outros meios", esquece-se que o autor da sentença, Karl von Clausewitz, não reduzia a política (nem, portanto, a própria guerra) à expressão dos interesses dos Estados nacionais:
Afirmamos que a guerra não é um domínio das artes ou das ciências, mas um elemento do tecido social. Constitui um conflito de grandes interesses solucionado de maneira sangrenta, o que a diferencia de todos os outros conflitos. Antes de comparar a guerra com uma arte qualquer, caberia fazê-lo com o comércio, que é também um conflito de atividades e interesses humanos, e inclusive se assemelha muito à política, que por sua vez pode ser considerada como uma espécie de comércio em grande escala. A política é a matriz em que se desenvolve a guerra5.
Do ponto de vista dos interesses estratégicos em jogo, no quadro do sistema imperialista, não era difícil caracterizar a causa da Primeira Guerra Mundial como sendo:
... a rivalidade entre os impérios coloniais velhos e ricos: a Grã-Bretanha e a França, e os bandidos imperialistas atrasados: Alemanha e Itália6.
Dessa forma,
A contradição econômica mais forte que conduziu à guerra de 1914-1918 foi a rivalidade entre a Grã-Bretanha e a Alemanha. A participação dos Estados Unidos na guerra foi uma medida preventiva7.
Na Segunda Guerra, porém, a participação dos Estados Unidos não foi preventiva, mas central, embora existisse uma forte corrente isolacionista no seio da classe dominante americana até dezembro de 1941 (ataque japonês a Pearl Harbor), que marcou seu ingresso na guerra. Até esse momento, a política americana com relação ao Japão era ambígua, e o mesmo pode-se dizer com relação à Alemanha hitlerista (o que desmente a visão ideológica retrospectiva de uma guerra da democracia contra o fascismo), isto ao ponto de Hitler ter como um de seus objetivos principais, já em plena guerra, a manutenção da neutralidade dos Estados Unidos.

Postado por: Jardel Oliveira